Mariela e o Livro da Escuridão

por Aline Resende

Livro

Imagine você, que porventura também seja apaixonado por livros, ter o poder de entrar na história e fazer parte dela. Imagine que mágico seria ficar amigo dos personagens, andar pelos lugares descritos e ter todas as sensações que a narrativa pode trazer.

Bem, não podemos negar que os livros já nos fazem sair do nosso mundo real e nos transportam para outros lugares e isso é mesmo mágico. Mas Mariela, a protagonista da obra escrita por Marcelo Lemes consegue, através de um livro amaldiçoado, fazer isso de forma literal.

Mariela é uma moça do interior curiosa, inquieta e apaixonada por livros. Ela acaba por ter em suas mãos o Livro da Escuridão, uma narrativa sombria que a envolve de forma doentia. Ela se torna incapaz de ver graça em sua própria vida, desde que consegue, através de um feitiço trazido pelo livro, entrar na história narrada.

A narrativa da Mariela me fez pensar que, muitas vezes, eu já me senti perdida por ter terminado uma história e ter tido que me despedir dos personagens. Existem livros que nos envolvem de tal forma que a gente começa a sentir saudades quando as páginas vão chegando ao final. Acho que essa é mesmo uma sensação comum entre nós leitores apaixonados.

Mariela nos é apresentada como uma personagem obstinada, que sofre com dilemas interiores, que sente dúvidas e receios, mas que sempre opta por enfrentar seus medos e seguir seu coração. Que sejamos mais como Mariela.

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Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil Colonial

por Notícias

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M. Beraldo desponta como referência no gênero da fantasia com o romance Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil Colonial

Editado pelo selo NotaTerapia, livro brinca com os limites entre fantasia e realidade ao fazer uma viagem pelo século XIX.

Uma série de mitos e forças locais começa a mexer com a cabeça de um homem e causa sérios impactos na sociedade em pleno Brasil colônia. Com esta premissa, o romance Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil Colonial, primeiro lançado por J. M. Beraldo pela NotaTerapia Editora, mistura a História do Brasil com o melhor do terror e da fantasia. A partir de domingo (27), esta maravilhosa história estará ao seu alcance com apenas um clique.

O Rio de Janeiro do início do século XIX é cenário para a história de Bernardo, um ex-padre português. Pouco depois da chegada da Família Real Portuguesa, o nosso protagonista chega à cidade para cumprir uma missão um tanto quanto macabra para a rainha, que está fora de si. Obrigado a viver na cidade que não conhece, acaba esbarrando em uma conspiração de muitas décadas que o leva a conhecer o caldeirão cultural que mistura mitos europeus, indígenas e africanos.

Autor de Véu da Verdade (2005), Taikodom: Despertar (2008), Império de Diamante (2015) e Último Refúgio (2016), o escritor J. M. Bernardo vem se consolidando como um nome de referência para a nova geração que flerta com este universo, tendo inclusive sua última publicação na lista das quatro mais vendidas do gênero na Amazon. Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil é fruto de uma intensa pesquisa sobre os tempos de Dom João VI associada a uma imensa capacidade de criação e boas doses de surpreendente criatividade. A história faz uma ponte entre ficção e realidade, contando sobre um período que nos é conhecido e, ao mesmo tempo, levando o leitor para mundos que ele nunca poderia imaginar.

“Estudar sobre a história de Portugal e sobre o Rio de 1810, passando pelos mitos da época, trouxe tantas possibilidades que muitas tiveram de ficar de fora do livro. As que restaram fizeram com que a história fosse melhor, bem amarrada a partir de uma teoria da conspiração com toques bastante realistas”, afirma o autor, que brinca com os limites entre a pesquisa e a criação: “Se tem uma coisa que eu aprendi estudando historiografia é que não existe verdade, porque a História é inventada”.

Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil Colonial é uma obra para todos os públicos: para os amantes de história e da cultura brasileira, e, principalmente, para os amantes de terror, fantasia e tudo que envolve este misterioso mundo.

Sobre o autor:
J. M. Beraldo é um nômade carioca que ganha a vida como game designer. Tem contos nas revistas Scarium e Trasgo, e nas antologias Brinquedos Mortais (2012), Sagas 4 (2013), O outro lado da Cidade (2015), Piratas! (2015) e Samurai x Ninja (2015). Publicou os livros Véu da Verdade (2005), Taikodom: Despertar (2008), Império de Diamante (2015) e Último Refúgio (2016). Tem ideias demais e tempo de menos, mas jura que um dia coloca tudo para fora.

Texto: Nota Terapia

 Para comprar a obra

http://migre.me/vznv5


Laicus – Pecados e Mentiras no Brasil

1ª ed. – Rio de Janeiro: NotaTerapia Editora, 2016.

250 páginas

14 x 21 cm

ISBN 978-85-5996-185-0

Preço de capa: R$ 38,00

Mais informações

facebook.com/JMBeraldo

facebook.com/notaterapiaeditora

notaterapia@gmail.com

5 trechos marcantes de livros

por Aline Resende

Livros completamente diferentes um do outro, mas que possuem algo muito importante em comum – trechos que me marcaram:

1- “Olhou para o trapiche. Não era como um quadro sem moldura. Era como a moldura de inúmeros quadros. Como quadros de uma fita de cinema. Vidas de luta e de coragem. De miséria também.” ― Jorge Amado, Capitães da Areia

2- “De arriscar- ela disse – De se soltar e ceder, e é isso que nos transforma no que somos. Riscos. Isso é viver, Remy. Ficar com tanto medo a ponto de nem tentar é um desperdício. Posso dizer que cometi muitos erros, mas não me arrependo de nada. Porque pelo menos não passei a vida toda à margem, imaginando seria viver.” – Sarah Dessen, Uma canção de ninar.

3- “Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos.” – Carlos Záfon, A sombra do vento.

4- “Posso viver sozinha, se o respeito próprio e a circunstâncias exigirem que o faça. Não preciso vender minha alma em troca de felicidade. Tenho um tesouro íntimo que nasceu comigo, e que pode me manter viva se todos os prazeres externos me forem negados, ou oferecidos apenas a um certo preço, que não posso permitir-me pagar.” – Charlotte Brontë, Jane Eyre

5- Enquanto ele lia, me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra. John Green, A culpa é das estrelas.

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Resenha – Depois de você

por Aline Resende

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Os que leram ” Como eu era antes de você” de Jojo Moyes, certamente, se envolveram muito com a história de Louisa Clark e Will Traynor e, assim como eu, estavam ansiosos pela continuação no “Depois de você”.

Atenção, caso não tenha lido “Como eu era antes de você” não leia essa resenha porque contêm spoiller do primeiro livro.

Um ano e seis meses após a morte de Will, Lou ainda sente-se despedaçada. Mesmo depois de viajar pela Europa, morar em Paris e comprar um apartamento em Londres, Lou não consegue deixar de ser uma pessoa que apenas sobrevive. Uma vida arrastada, sem cor, sem alegria, sem ânimo, lutando em vão para seguir um caminho do qual que ela acredita que Will se orgulharia.

Depois de beber muito e se equilibrar no parapeito de sua varanda numa busca doentia para se sentir viva, Lou acaba sofrendo um acidente quase fatal. A partir de então, além de estar destroçada emocionalmente, ela passa a ter que se recuperar fisicamente.

Quando, numa noite comum, uma menina bate a sua porta, o mundo de Lou parece se tornar ainda mais dramático. Ela se vê obrigada a enfrentar seus medos e fraquezas e tenta fazer as pazes com sua vida, para quem sabe, voltar a ser alguém feliz novamente.

“Depois de você” não me envolveu e me emocionou como o primeiro, talvez eu tenha criado muita expectativa. Mas é um bom livro, bem escrito e com diálogos inteligentes, como é próprio da autora. É bom matar as saudades de Lou e sua “caótica” família que possuem um senso de humor ótimo e nos arrancam boas risadas, apesar de tratar-se de um drama. Um bom drama. Acho que é difícil superar o amor de Lou e Will, mas vale a pena fazer a leitura e torcer para que a Lou encontre a paz e o amor que tanto merece.

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Lou e Will em cena do filme “Como eu era antes de você”

As 5 melhores leituras do ano

por Aline Resende

Essa lista não é composta por títulos que foram lançados neste ano de 2015, mas sim, por títulos cuja leitura eu fiz em 2015.

O critério foi única e exclusivamente baseado no meu íntimo gosto pessoal. E como os meus queridos leitores adoram esse critério (eu fico muito feliz por isso!) vamos à lista:

Observação: A lista é meramente enumerativa, não está em ordem de preferência.

1- Eleanor e Park

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Fiz uma resenha sobre Eleonor e Park e nela, relato de forma detalhada o porquê de todo o meu amor pelo livro. Vou roubar um trecho do que escrevi para que vocês entendam meus motivos:

“Eleanor é trágica e real. É gordinha, veste roupas velhas, largas, usadas. Não por opção ou charme, mas porque vive uma realidade pobre. Muito pobre. Não é apenas roupa que falta em sua casa, comida também. Não é só comida e roupas, falta espaço adequado para ela e o 4 irmãos e falta dignidade. A mãe apanha do padrasto. Todos vivem em contato constante com o medo. O ambiente é caótico e abusivo.

Park é discreto. Tímido.Geek. Não tem o costume de fazer amizades e todos o conhecem como o garoto oriental. Sua mãe é coreana, seu pai um ex soldado que não aceita bem o fato do filho ser tão pequeno, discreto e “esquisito.”

Em certo ponto do livro, bem inicial, eu confesso – pensei “como diabos eu ficaria interessada nesses dois personagens?”

E aí eu me apaixonei .Foi quase uma mágica. Foi gradual e de repente, assim como a paixão simples e profundamente sincera de Eleanor e Park. Foi pela sinceridade e pureza do amor contrastando com a verdade dura da vida. Foi pela mudança de como passei a enxergar os dois personagens e do quanto eu torci para eles.

Puro, mas sensual. Geek, mas trágico. Punk Rock, mas romântico.

Eu definitivamente me apaixonei por Eleanor e Park.”

Tudo bem, acabei pegando um “trechão”, mas é por um boa causa, né?

2- Na natureza Selvagem

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Muitos já viram o filme, mas, eu recomendo muito que leiam o livro mesmo assim.

Trata-se da história real de Christopher McCandless, um jovem americano que deixa para trás todo o conforto de sua vida de classe alta para realizar o sonho de viver sozinho na natureza selvagem do Alasca. A história é contada por Jon Krakauer, um jornalista e escritor que se identifica com a história de Christopher e, por isso, resolve seguir todos os passos do jovem e estudar a fundo os motivos que o levaram a seguir por um caminho que culminou numa morte trágica e solitária. Uma história triste, profunda e com passagens icônicas como a frase dita por Christopher um pouco antes de sua morte “A felicidade só é real quando compartilhada”

3- Capitães da área

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O clássico de Jorge Amado foi leitura obrigatória na minha época de escola e ao relê-lo neste ano, eu percebi a importância disso na formação do jovem. Infelizmente, na época, a gente não tem maturidade 0 suficiente para tirar da história importantes lições sobre a realidade da marginalidade no Brasil. Li a obra neste ano novamente para fazer uma resenha para o blog Universo dos Leitores e pude entender com muito mais clareza e confiança o sentido do livro. Peço licença para retirar um trecho da resenha que fiz para o Universo dos Leitores:

“O livro conta a história do grupo conhecido como Capitães da Areia, composto por crianças de ruas, marcadas por maus tratos, fome, violência e abandono. Tratam-se de crianças que se uniram para praticar furtos para sobreviver e se alimentar(…)

Porém, o grupo é bem mais que isso. Capitães da Areia ficaram conhecidos em toda Bahia da década de 30 e 40 por terem sido temidos por muitos e admirados por outros pela coragem e inteligência.

As crianças se unem de uma forma extremamente leal umas às outras, sendo, inclusive, a única coisa que os capitães da areia respeitavam – o código que regia o grupo. Tendo apenas um velho trapiche abandonado para morar, trapos para vestir e a incerteza de poder se alimentar a cada dia, esses meninos criam laços de amizade e companheirismo e dividem uma infância roubada, na qual eles vivem como verdadeiros adultos, precisando se virar como homens fortes para sobreviver.

Uma história linda, envolvente e ao mesmo tempo árida, fria e seca porque toca na ferida, abre os olhos para aquilo que a gente evita ver, faz com que a gente se coloque, pelo menos por alguns segundos, no lugar daquelas crianças e aí quem sabe, a gente consiga entender que crianças são apenas crianças, que o amor é o melhor caminho e que, infelizmente, estamos ainda muito longe de chegar a um lugar onde não exista tanto sofrimento e abandono.”

4- Sempre foi Você 

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Nas minhas duas últimas escolhas, me permito citar dois romances “água com açúcar” que é um estilo que assumidamente amo, desde que tenha diálogos inteligentes e boa escrita (muitos desse gênero não possuem essas importantes características)

“Sempre foi Você” conta a história de dois amigos que passam anos vivendo um amor forte entre idas e vindas, dividindo angustias, descobrindo a vida adulta e enfrentando barreiras de distância e tempo. Confesso ter me encantado demais pela personalidade de Richard, e por isso, ter engolido o livro em dois dias. Foi uma leitura leve e prazerosa.

5 – O segredo de Colin Bridgerton 

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Romances históricos são o meu fraco da vida. Esse é o volume 4 da série “Os Bridgerton” que narra histórias dos irmãos de uma família tradicional da elite londrina do século XIX.

Curioso eu ter começado a série de 4 livros logo com O segredo de Colin Bridgerton que é último deles. Foi o resumo de capa que mais me agradou. E, ainda bem, não me decepcionou. A narrativa gira em torno da história de Penelope e Colin, um casal improvável aos olhos dos membros da elite da época que sempre viram Penelope como uma moça apagada e apática, enquanto Colin era o solteiro mais desejado da época. Por muito tempo, Colin dá atenção a Penelope por pena de sempre vê-la sozinha nos salões sem qualquer indicio de um potencial pretendente. A situação muda entre os dois, não porque ela tenha se transformado em uma beldade, mas porque Colin descobre outros encantos e caraterísticas que fazem de penelope uma pessoa singular entre a tediante sociedade londrina.

Eu estava realmente saudosa de fazer as minhas listas de leitura. Espero que vocês tenham gostado dessa, assim como gostaram das outras.

Que 2016 traga muitos livros de perder o fôlego e a madrugada. Amém.