Sonzinho Bom – Summertime

por Lívia Rios

♪ “Passa o inverno, chega o verão
O calor aquece minha emoção
Não pelo clima da estação
Mas pelo fogo dessa paixão” ♪

ar condicionado
Nunca fui uma “pessoa verão”. Quem me conhece, sabe que eu gosto mesmo é de um casaco e uma botinha, haha. Mas, nesse tempo de sol quente na cuca, por que não ouvir umas musiquinhas agradáveis, que por algum motivo, combinam com o verão? Fiz uma seleção de músicas “verãozisticas” para embalar os últimos dias dessa estação!
Vamos começar falando de um tema de standard Jazz, de 1934, composição de George Gershwin, com letra de DuBose Heyward. Summertime, uma das mais belas canções de todos os tempos, conta com mais de 25.000 gravações! Entre essas tantas, há versões notáveis dos clássicos jazzistas Miles Davis, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald (falei sobre eles aqui), Charlie Parker, Eva Cassidy, Sinatra e John Coltrane. Dificilmente alguma versão dessa música não vai agradar, mas entre as minhas preferidas, escolhi compartilhar essa da Norah Jones, que nos presenteia com um casamento perfeito: sua voz doce e o piano solo. Se melhorar, estraga!

A segunda música escolhida faz parte da minha história com minha amiga e anfitriã desta Casa de Relíquias. Summer Nights compõe a trilha sonora do clássico musical Grease, primeiro filme que assisti junto com a Line, no começo da nossa amizade, que já está quase debutando ♡.
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A canção, que conta a história do amor de verão nas versões bem distintas de Danny e Sandy, é interpretada pelos atores que deram vida aos protagonistas do filme. Foi um enorme sucesso nos EUA, no verão de 78, e, no Reino Unido, ficou em primeiro lugar das paradas por 7 semanas. Não podendo ser diferente, a inconfundível frase “tell me more, tell me more” , é difícil de sair da cabeça. Clica aqui pra ouvir, e se divertir com o trecho do filme!

E essa edição de verão calor no coração da Sonzinho Bom vai terminar com a linda Lana Del Rey. Conhecida por seu estilo vintage, ela é referência no meio hipster / indie. Não podendo ser diferente, a música sobre o verão de Lana vai “contra a corrente”. Summertime Sadness tem uma levada mais lenta, com grandes influências dos gêneros trip hop, indie rock e indie pop, e uma letra melancólica, onde a artista canta sobre sua tristeza de verão.

Como nem só de artistas respeitáveis se vive uma playlist (risos), escutem também Girls of Summer  , Cool for the Summer , Summer of 69 , e Summer Love, com direito a navegar desde Aerosmith à Justin Timberlake. E viva a diversidade! Beijos, e até a próxima! ;)

Sonzinho Bom – RIP George Michael

por Lívia Rios

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Muito do meu gosto musical vem de influências familiares, como citei aqui. Músicas dos anos 80 (e seus barangos sintetizadores ~que adoro~, risos ) sempre estiveram nas vitrolas, toca-fitas, e, posteriormente, cd-players da minha casa.

No último 25 de dezembro, como se 2016 já não tivesse sido conturbado o suficiente, enquanto muitos de nós ainda relaxávamos em família, no dia de natal, fomos surpreendidos com a notícia da morte de George Michael. Com apenas 53 anos, o ex-integrante do duo Wham!, que posteriormente em carreira solo se tornou uma estrela também por seus videoclipes, nos deixou. :(

A vida pessoal de George gerava manchetes em todo o mundo. Politizado, se posicionava contra a primeira ministra conservadora Margaret Thatcher, e, após se assumir como gay, no final dos anos 90, se tornou também uma voz em defesa da comunidade LGBT.

Não podendo ser diferente, a triste notícia levou o músico de volta à tona na mídia.
Portais do mundo inteiro destacaram o falecimento do músico em suas homepages, e, durante minhas leituras, senti a necessidade de compartilhar as palavras de Bernard Zuel, escritor de música do jornal australiano Sydney Morning Herald, sob a manchete: “George Michael morto: Uma estrela global que exigiu que o ouvíssemos sem preconceito” (referência aos álbuns do cantor de nome “Listen Without Prejudice – Vol 1 e 2”, Bernard escreveu que George Michael era uma estrela que, como Freddie Mercury, era um talismã para a comunidade gay, ainda excluída do centro da cultura. “Que se se tornou um campeão das lutas por liberdade e direitos, nem sempre oferecidos a essa comunidade”

????????

Sendo assim, não tenho dúvidas que George já deve ter sido muito bem recebido pelo igualmente lendário David Bowie, que também se despediu de nós nesse ano que passou, deixando um vazio na música pop. Já foi tarde, né, 2016?

Bem, para homenageá-lo, selecionei três das minhas canções favoritas, compostas e/ou interpretadas por ele.

Careless Whisper foi o primeiro single da carreira solo do cantor. O hit de 1984 atingiu o número 1 nas paradas de cerca de 25 países, e vendeu 6 milhões de cópias ao redor do mundo. Dona do inconfundível riff de saxofone, a canção embalou muitos romances dos anos 80, inclusive o dos meus pais!

A próxima canção, é de autoria de ninguém menos que Sir Elton John, em 1974..
Posteriormente, “Don’t let the sun go down on me” foi executada ao vivo numa versão dueto com o autor da canção e o homenageado desta coluna, quando em sua turnê “Cover to Cover”, George Michael convidou John para convidá-lo a cantar com ele na Wembley Arena, em Londres, em 23 de março de 1991. De arrepiar, essa versão:

Por último, “The Long and Winding Road”. A balada, composição de Paul McCartney, foi o último single lançado pelos Beatles, em 1970. Essa música, além da letra linda, é uma das melodias mais bonitas que conheço, e em 1999, George Michael nos presenteou, fazendo talvez o cover mais bonito e emocionante da canção. Também, com essa voz, já era de se esperar!

Ainda na vibração de começo de ano, não deixem de ouvir a clássica “Wake Me Up Before You Go-Go”, e que com ela venham boas energias para 2017. Por um ano novo com mais pessoas como George Michael, provocadoras e questionadoras. Descanse em paz, George!

Livia Rios

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Sonzinho Bom – George Harrison

por Aline Resende

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“Ah, music,” he said, wiping his eyes.” “A magic beyond all we do here!”

“Ah, a música”, ele disse, enxugando os olhos.” “Magia que vai além de tudo o que fazemos aqui!”

A sábia frase acima foi falada por ninguém menos que Alvo Dumbledore, no livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, e é mais uma belíssima definição do que a música pode ser.

Mas não estamos aqui para falar de Harry Potter, vamos falar de tekpix!  #brinks

Vamos falar, ou melhor, precisamos falar de George Harrison! George foi muito além do que o “quiet beatle” (O Beatle tímido) – como era chamado no auge da beatlemania.

via GIPHY

Conforme é mostrado no documentário “The Beatles Anthology”, o guitarrista solo foi trazido para a banda por Paul McCartney. Eles estudavam na mesma escola, e Paul levou o garoto de 17 anos para conhecer John Lennon, que se impressionou com suas habilidades e o convidou para entrar no grupo. “Something”, “While My Guitar Gently Weeps” e “Here comes the sun” estão entre suas colaborações mais conhecidas dos Beatles.

Ao longo dos anos de existência da banda, por conta da existência da parceria “Lennon-McCartney” (conto mais detalhes desse assunto em uma próxima coluna), George acumulou uma grande quantidade de composições. Após o fim do quarteto, esse material gerou seu primeiro álbum solo, triplo, do qual saiu o single “My Sweet Lord”, que se trata do deus Hindu Krishna, reafirmando seu lado espiritual e lembrando suas influências do hinduísmo já mostradas, anteriormente, em álbuns do quarteto como o “Revolver”, Rubber Soul” e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”. Confira o single:

“Give me love (Give me Peace on Earth)” é a minha música favorita da carreira solo do George. Ele conta em sua autobiografia de 1980: “Às vezes, você abre a boca e não sabe o que vai dizer, e tudo o que sai é o ponto de partida. Se isso acontecer e você tiver sorte, pode geralmente ser transformada em uma canção. Esta canção é uma oração e declaração pessoal entre mim, o Senhor, e o universo”.  Artistas como Elton John, Sting, James Taylor e Marisa Monte (adoro a versão dela também!), regravaram a canção. Let me give you “Give me love!” <3

Para finalizar, “Got my mind set on you”. Composição de Rudy Clark, foi gravada originalmente em 1962, por James Ray. A versão de George, de 1987, chegou ao topo das paradas e se tornou a gravação mais conhecida desta canção. Não é para menos, né? Difícil ouvir e ficar parado!

“My head is filled with things to say” (“Minha cabeça está cheia de coisas para dizer” – trecho da música “I want to tell you”).

Se eu fosse abordar tudo o que gostaria de falar sobre George, precisaria dividir esta coluna em inúmeras partes. Espero, então, que o que compartilhei aqui, hoje, sirva como incentivo para vocês procurarem saber mais sobre o beatle responsável pela banda ter sido deportada da Alemanha, já que era menor de idade, quando estavam lá, em turnê. Termino recomendando outras das minhas músicas preferidas compostas ou cantadas por George nos Beatles: I Me Mine, I Want To Tell You, Taxman e Roll Over Beethoven.

Lívia Rios

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Sonzinho Bom – Vozes Femininas

por Aline Resende

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“One good thing about music, when it hits you, you feel no pain… so hit me with music, hit me with music,”

 “Uma coisa boa sobre a música é que, quando ela te atinge, você não sente dor… então me atinja com música, me atinja com música”

 Estreei a coluna citando Stevie Wonder, e dessa vez escolhi citar Bob Marley and The Wailers (Trenchtown Rock, 1973). Não vou falar de reggae dessa vez, porém considero esse trecho muito marcante. Há tempos tenho em meu computador um mp3 de péssima qualidade (sdd Kazaa, #sóquenão, haha) em que Jack Johnson canta uma parte dessa música em um “medley”, junto à “Garden grove” (Sublime, 1992) e “Ring the alarm” (Tenor Saw, 1985). Nessa versão, Jack acrescentou aos versos de Bob:

“ (…) So hit me with music, brutalize me with music! ” – “Então me atinja com música, me brutalize com música! 

 Que sejamos brutalizadas com música!

 Hoje vamos falar de vozes femininas “poderosas”. Desde que comecei a entender mais sobre música, classificação vocal, timbre, e etc., observei que meu ouvido ficou mais seletivo, e, por mais que eu goste e seja aberta a conhecer diversos estilos, algumas vozes não me despertam a vontade de ouvi-las horas a fio como as que vou compartilhar.

 Vou começar com essa linda da Shingai Shoniwa, vocalista da “The Noisettes”. O primeiro nome dela, Shingai, significa “ser ousada / corajosa / forte”, em Chona (grupo de línguas africanas faladas principalmente na metade norte do Zimbabwe). Definida pela revista Rolling Stone como “uma manifestação viva e que respira do espírito rock ‘n roll”, a cantora e baixista varia entre performances às vezes descalça, com pinturas no rosto e chapéus estilosos nos palcos. Ouve só o vozeirão:

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 A segunda voz que escolhi, “mal conheço e já considero pacas”, haha! A Grace VanderWaal, de apenas 12 anos, é uma cantora, compositora e “ukulelista” (toca ukulele <3 – qualquer semelhança com a colunista que vos fala é mera coincidência!). Ela foi a vencedora do  America’s Got Talent 2016, prêmio mais que merecido, afinal, que timbre! Aqui, a música autoral que ela apresentou na audição dela para o programa:

 Não menos importante, Fiona Apple! Além do vocal peculiar, a também pianista e compositora, chama a atenção com suas melodias muito bem trabalhadas e letras metafóricas, com temática psicológica. Tudo isso a levou a ganhar seu primeiro Grammy com menos de 20 anos.

Com timbres igualmente atraentes, as cantoras Duffy e Gabriella Cilmi também merecem atenção!

Como tendi a mostrar vozes mais contemporâneas, aqui vão sugestões de outras vozes maravilhosas, não necessariamente da atualidade, para ouvirem por conta própria:  Sade, Laurin Hill, Tina Turner, Esperanza Spalding.

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Tomara que apreciem o momento “Girl Power”! Beijos, e até a próxima!!

Fotos e texto: Lívia Rios

Coluna da Lí – Sonzinho Bom

por Aline Resende

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Difícil resumir a nossa nova colunista em apenas algumas palavras. A Lí  consegue reunir tantas funções e habilidades que se a gente listar, com certeza estaremos correndo o risco de esquecer de alguma. Mesmo assim eu vou tentar – ela é fera no desenho e no design, é uma excelente fotógrafa, cozinha como ninguém (tudo que ela faz é DELICIOSO), ela canta, toca, faz vídeos e é expert em música. A musica, alias, tem sido muito presente na sua vida, ela anda fazendo fotografia, vídeos e desenvolvendo mídias sociais nessa área. Dito isso, caros colegas, apresento a vocês a nova coluna da Lí aqui no CDR – “Sonzinho Bom”, nela, a Lí vai nos dar muitas dicas e curiosidade musicais.

Obs: Vamos fazer uma campanha pra Lí assumir outras colunas também? Quem sabe sobre culinária, hein? #ficaadica

“Music is a World Within itself, with a Language we all understand”
(“A música é um Mundo por si só, com uma linguagem que todos entendem”)

Nada como um trecho de Stevie Wonder (Sir Duke, 1976) para estrear esta coluna. Começo dizendo que não sou a favor da delimitação de fronteiras para a música. Considero natural ter preferências de estilo, mas sou contra generalizações e preconceito pelo desconhecido. Nunca gostei da palavra eclética, para definir gosto musical. Soa como se eximir de emitir opinião.  Não me defino dessa maneira, apesar de diversos estilos, pois acredito que vamos gostar mais de uns e descartar outros. Prometo que o conteúdo aqui vai ser variado e de qualidade!

 

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Foto: Lívia Rios

Bem, vamos começar pelo “Indie/folk/rock”, estilo que eu curto muito, e compartilhar alguns artistas que merecem atenção! Vou tentar explicar rapidamente: O termo indie, em inglês, é a abreviação de “independent” e se aplica, na indústria de artes e performance, para os músicos, produtores e artistas que ainda não têm contratos de imprensa e distribuição. Agora, algumas explicações sobre o termo folk: A música folclórica ou folk music, segundo a etimologia do termo adotada no século XIX, era a música feita pela sabedoria popular (“folk lore”). A denominaçāo indicava, especialmente, a música feita pela sociedade pré-industrial, fora dos circuitos da alta cultura urbana.

O “Indie Folk / Folk Rock” surgiu na década de 1990 por meio de artistas do Indie rock, trazendo influências da cena de folk music desde as décadas de 1950, 1960 e início dos anos 1970. Os Lumineers, por exemplo, são um trio americano de Folk Rock de Denver, nos EUA, formado em 2002. O grupo é formado por Wesley Schultz nos vocais e violão, Neyla Pekarek no piano, cello, mandolin e vocais, e Jeremiah Fraites na bateria e vocais. Eles fazem um som bem peculiar! Ouve só um exemplo!

Outra banda que me chama muito a atenção é “Of Monsters and Men”. A vocalista Nanna Bryndís tinha um projeto solo de vocal, que recrutou para a formação original Ragnar “Raggi” Þórhallsson (vocal e violão), Brynjar Leifsson (guitarra), Arnar Rósenkranz Hilmarsson (bateria – anunciou sua saída da banda em 2012) e Kristján Páll Kristjánsson (baixo). Quando a banda veio da Islândia para tocar aqui no Brasil, no Lollapalooza, o vocalista Raggi contou que a música lá no país ainda estava florescendo, começando com nomes pequenos. “Há muitos artistas que merecem mais atenção para além das nossa fronteiras”, disse o cantor. Escuta essa:

Para finalizar,  Edward Sharpe & The Magnetic Zeros. Diferente do que o nome sugere, a banda é composta por 10 membros e liderada pelo vocalista e compositor Alex Ebert, e não alguém chamado “Edward Sharpe”. Com a missão de salvar a humanidade do esquecimento da cultura folk-hippie, o que se observa na geração musical atual, o conjunto veio para mostrar que mesmo com as constantes transformações do mundo, a cultura hippie não ficou presa ao passado, atrelada apenas às canções de Janis, Jimmy e seus contemporâneos.

“The Head and the Heart”, “Mumford & Sons”, “Vance Joy”, “The Decemberists”,  estão também entre as inúmeras bandas que gostaria de citar, mas vou sugerir a quem se interessou que pesquise mais sobre o gênero e descubra quanta coisa legal tem por aí! Espero que aproveitem o som, e até a próxima! :)

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Foto: Lívia Rios