Crônicas da Fê – “De louco todo mundo tem um pouco”

por Aline Resende

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Estamos com novos colunistas aqui no CDR e aos poucos eu vou apresentando-os à vocês.  A Fê Petri vai presentear a gente com crônicas e textos dos mais variados assuntos, e ela, assim como eu, ama escrever e faz isso como terapia. Que sorte a nossa:

De louco todo mundo tem um pouco

“Penso que de louco todo mundo tem um “muito”. Um “muito” de ideias, um mundo de pensamentos, um “muito” de perguntas e um mundo de respostas. Há sempre certa loucura naquele que permanece calmo, paciente e sereno diante do caos instalado na sociedade atual. Fala sério!Só doidão. Na verdade, normais são os loucos que reagem a loucura que se alojou nos valores humanos. PERGUNTA. O mundo sempre foi assim?

Essa é uma, do meu extenso, dramático e sincero mundo de perguntas. Acredito que não. Porque, talvez, se assim fosse, minha avó, por exemplo, não teria chegado aos 93 anos com uma saúde mental e emocional tão maravilhosa. Impressionante! Como que a ambição a carreiras, o acesso a materialidade fútil, e a interatividade social através da tecnologia foi capaz de mover/mexer tanto com a sanidade das pessoas vivas. Mortas, sei lá. Talvez isso seja apenas parte do mundo de pensamentos, que parte do “muito” de questionamentos, que ainda não conseguem serem respondidos, porque o mundo ideias não permite!UFA!

Enquanto a água acaba, a corrupção corroí, a economia pratica rapel, e a política fracassa, nada melhor que uma boa cervejinha no copo lagoinha pra gente celebrar o carnaval, a copa, as olimpíadas (escolha o evento de sua preferência). Se você bebe vinho, caipirinha, espumante, whisky, campari, vodka ou catuaba com açaí, não se sinta ofendido. Tá valendo!

Essa é uma loucura que talvez deva ser mantida, além de reduzir banhos, não reeleger políticos corruptos e se indignar, uma, duas, três vezes. Tem gente, por exemplo, que opta em se indignar pra sempre. VAI ENTENDER. A grande questão é que até as grandes rochas humanas (tipo aquela pessoa que você não imagina chorando e fala como se tivesse certeza de tudo) são voláteis hoje em dia. Porque a transitoriedade das ideias e situações não é capaz de permitir que você se estabeleça em um só ponto, por completo. Uma hora vamos ter que abrir mão de algo na tentativa de salvar algum valor. Ter boas ideias hoje em dia, é , muitas vezes, sonhar acordado. O brilhantismo delas simplesmente não se aplica a realidade transitória. Pra mim, sonhos mantidos, não divulgados, podem ser a porta da sanidade. O secreto, sempre seu (pode compartilhar se quiser), pode te apagar (eu sei), ou fazer você brilhar ainda mais quando te faz perceber que a realidade não passa de mera verdade dos loucos. Os sonhos secretos, genuínos, são capazes de nos reerguer como luz em tempos de sombras. O “muito” dos pensamentos tem que ser leve. O mundo de ideias deve ser criativo. Um “muito” de perguntas deve ser peneirado (?) O mundo de resposta merece ser buscado. O que fica, afinal, é a força insana, a loucura sóbria, a felicidade transitória e o copo lagoinha com cerveja até o topo (de preferência). COLOQUE UMA MUSICA. Desconectados, sim. Talvez. Loucos não. Ou sim. Pense. Idealize. Sonhe. Pergunte. Busque responder. É “muita” loucura ou é o normal ser “muito” louco no mundo de “muita” normalidade? TIM TIM!”

 Fernanda Petri

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