Crônicas da Fê – Nús e Crús

por Fê Petri

matemática

Quanto tempo é necessário para aprender algo? Sobre amor, forma de amar, ouvir, falar, respeitar. Quanto tempo é preciso para aprender a parar de fazer perguntas, quando ainda não é hora de saber as respostas. Aprender a esperar ou fazer uma receita que da primeira vez deu certo e agora não dá mais.

Mudança de tato. Perde-se o jeito. Será que a receita é a mesma?

Estava escrito que a farinha já tinha fermento, não coloquei mais e meu bolo murchou. Quer dizer, não cresceu. CRESÇA. Um dia, com a mesma quantidade de ingredientes, sobrou calda para o mesmo tamanho de bolo, e agora to aqui, tirando da lateral para cobrir a textura de cima.

Que loucura!

Aquela corriqueira situação, na qual você trabalha uma idéia, um defeito, aprimora uma qualidade, promove mudanças internas, e, finalmente, acha que tirou a lição de tudo aquilo. O bolo está pronto. Calda perfeita. Crescimento perfeito. Em questão de segundos, você dá aquela mordida de satisfação pessoal e percebe que ele tá borrachudo, insosso. Porque no fundo, você só queria que o bolo lhe parecesse perfeito. Satisfação social. Em nenhum momento você pensou em fazer um muffin primeiro. Queria logo aquele bolo que serve 30. Não, não. Porque a questão aqui é alcançar resultados grandes que satisfaçam a todos. E quando você vê, está ali, com aquela cara de quem comeu e não gostou.

Aprendizado é realmente valioso diante dos valores de quem se dispõe a aprender. DE QUEM SE DISPÕE.

É naquele meio-tempo da receita de um bolo de cenoura tradicional que você percebe que quer fazer um naked cake. É finalizando o naked cake que você percebe que tudo que queria era comer um tradicional bolo de cenoura. Nessa parte, nesse “click”, você começa a mudar os métodos. Corta o bolo no meio, coloca o recheio e deixa ele peladão. Fica horrível esteticamente. Você morde e…. DELICIA! (mesmo gosto do bolo tradicional)

Yes! Aprendi a fazer bolo pelado!

Afinal, cada um com seu aprendizado, e, principalmente, com a percepção que se tem dele. Ensinamos nossos avós. Nossos pais nos ensinam. Aprendem conosco e ensinam pros nossos filhos e avós. De novo. TEM TEMPO?

Fico aqui matutando sobre tudo que queria aprender. Depois fico aqui pensando sobre o nada que iria fazer com aquilo. Mas é isso. Curiosidade. Superação pessoal. Busca. Alimento. Vivência. Experiência. O que a gente não costuma perceber, é que no intervalo da aula de piano, com seus dedos curtos e sua falta de jeito, sua professora te convida pra tomar um café, e vocês ficam horas divagando e refletindo sobre a vida. Trocando casos mirabolantes. PRONTO! Leu a receita, separou os ingredientes em suas quantidades ideais, sovou a massa, aguardou o tempo certo e FIM! Aquela bolada de aprendizado. Ô calda de gratidão. INICIO.

Viver e aprender o que NÃO quer fazer, fazendo! TEM TEMPO? Fico aqui com os meus botões. Que abotoei um em cima do outro, no lugar do outro, e agora decido que não quero usar mais essa camisa tão SOCIAL, passada, limpinha, engomada.

Quero colocar mais botões na calça que está caindo! Deixa cair? Ou alguns botões na cuca que parou de funcionar ou que funciona demais. STOP. PLAY. PROSSIGA.

O botão da resiliência, da paciência.

E tem sempre aqueles sujeitos que demoram pra aprender, mas aprendem. Provam, gostam, mas são cheio de receios de oferecer e ninguém querer experimentar, ninguém gostar.

Opa! Hora de aprender!

LÊ, LÊ e LÊ. ALGO QUE PODERIA SER UMA COLETÂNEA DE LIVROS.

De repente, você conversa com alguém que lhe diz: “quando ele me disse isso, aprendi que fazemos bolo pra dar errado. Isso é a coisa mais natural que existe.” A frase que ele escutou devia ter no máximo 4 palavras. Nada comparado àquela coletânea sem fim! Percepção. Aprendiz. Tempo.

Me parece que o mundo vem querendo aprender tudo, buscar solução pra tudo. Vida. Morte. Vida após a morte. Corrupção. Política. Esquemas de governo. Vida saudável. Alimentos. Raiva. Medo. Ansiedade. Ciência. Profissão. Dinheiro. Investimento. QUE CRISE.

Porém! AH! Porém!

Acredito que o maior desafio hoje, é aprender a amar. Porque tá faltando amor. E porque SOBRA AMOR. E nisso, parece que tá todo mundo CRÚ.

Delicia de AMOR. Isso sim é um bolo NÚ.

bolo