Crônicas da Fê – RIP Gasparzinho

por Fê Petri

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Medo. O medo do velho novo século não é o medo do escuro. Da montanha russa. Do filme de terror. Do trem fantasma. Do castelo do horror. Do Frankstein. Do mostro do lago. Do Pitbull bravo da casa vizinha. De abelha. De maribondo. De aranha. De cobra. De roda gigante (por que não?).

A montanha russa virou nossos relacionamentos. O filme de terror, o término do relacionamento. O trem fantasma que leva pessoas queridas. O castelo do terror que abriga a saudade. O Frankstein que te deixa inerte. O mostro do lago que te rouba. O pitbull que trabalha do seu lado. A abelha que te pica te deixa triste. Do maribondo que não saiu do quarto até agora e te deixa angustiada. Da aranha que tece teias de problemas que não existem dentro da nossa cabecinha inquieta, e nos deixam ansiosas. Da cobra que parece você, rastejando por não ter coragem de levantar e encarar o mundo. Da roda gigante que é o sobe e desce do seu humor.

Sou a chapeuzinho. Você, medo, o lobo mau.

Quem dera o medo de hoje fosse daquele bichinho meio esquisito que aparecia nos desenhos que você assistia quando era pequenino na sua sala colorida e bagunçada por brinquedos. Rio de lagrimas sinceras. Quem dera o medo fosse o sentimento previsível como era entrar no castelo do horror. Fosse do filme de terror que você pode pausar e escolher nunca mais voltar a assistir.

Não, não.

O medo do século é outro.

Medo de não conseguir ser quem quer ser. Ou de não descobrir quem realmente é. De não superar a dor. Medo de não formar no que quer. De não arrumar o trabalho que ama. De não corresponder às expectativas próprias e alheias. De amar demais. De não amar. De se entregar. De não se entregar. Do casamento dar errado. De não casar. De não fazer tudo que planejou (não interessa quantos e o tamanho de seus planos). De se frustrar, de decepcionar sua família. Desapontar seus amigos. Deixar triste quem se ama.

De tentar e não conseguir (prefiro nem tentar? Afinal, não gosto de não conseguir).

O medo nos paralisa. Impede os feitos. Bloqueia nossos grandes méritos. Afasta da vontade de amar.  Não deixa a vida fluir, os sentimentos fluírem, a saudade aumentar, nos impede de dançar, cantar alto, dar uma cambalhota no meio de uma praça lotada quando se tem vontade. Porque o medo aqui, não é de machucar a cabeça, ou bater a perna no coleguinha da frente que às vezes esta meditando. É do julgamento. Porque hoje é assim. Se não é espontâneo é careta. Se for espontâneo é louco. E você não quer parecer louco, muito menos careta. Prefere ficar em cima do muro. Pule! PULAR? Tenho medo de altura!

Medo de amar? Affe! Desse boneco do Chuck to cansada.

E o medo de enfrentar o medo? Viva a redundância!

A ansiedade gerada pelo medo dá uma quebrada no nosso carrossel. E depois, lá estamos nós, aprendendo a andar de velotrol de novo. Pra tirar a primeira rodinha da bicicleta é um parto! PARTO? Ai meu deus!

Oi medo. Agora que te conheci, pode dar meia volta e ir embora. Não quero ser indelicada. Mas você esta impedindo meu parque de diversões de funcionar .

Qual a função do brinquedo de terror em parque de diversão? Adrenalina. A adrenalina no século 21 virou depressão. Crise ansiedade. Que pânico!

O negocio é o seguinte. O castelo de terror que te deu aquele medo danado na primeira volta, é o mesmo que você vai entrar na fila e dizer: vou de novo! Sem medo dessa vez! Quer saber, vou dar play naquele filme que me apavorou ontem, nem deve ser tão medonho assim! Tudo coisa da minha cabeça!

SIM! COISA DA NOSSA CABEÇA!

Medo, medinho, medão… A falta da coragem. Não conheço UMA pessoa nesse “mundão de meu Deus” que não queira ser corajosa. Mas a coragem vem pra te dar muita opção. Pra te abastecer de ideias. Pra te alimentar de oportunidades. E nem todo mundo sabe o que fazer com tudo aquilo.

Mas, pensa, sofre um pouco, escolhe, vive corajosamente, e, de repente, ta no seu quarto abrindo seu armário e procurando o bicho de sete cabeças que estava ali há pouco. Foi abduzido. Sumiu. Escafedeu-se.

Que o medo seja nosso aliado, capaz de nos fazer reconhecer nossas fraquezas, trabalhá-las, superá-las.

Desconstrua esse castelo. Vamos rápido nos permitir sair com Frankstein, nadar pelado com esse monstro do lago, deixar essas abelhas trazerem nossa toalha depois do banho (tipo cinderela), dançar com os morcegos no escuro com uma cobra de cachecol a tira colo, e levar logo aquele pitbull da vizinha para andar no trem fantasma!

Nesse bate-bate da vida, somos a água mole, o medo, a pedra dura.

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