Crônicas da Fê – TIC TAC

por Aline Resende

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O tempo passa. O tempo espera. O tempo apressa. O tempo cura. O tempo aperta. O tempo leva. O tempo traz. TEMPO REI.

Quantas vezes você, provavelmente, assim como eu, já bateu de frente com o tempo? Já brigou, já agradeceu, já quis materializá-lo para lhe dar uma estrangulada básica, ou para lhe abraçar forte e lhe beijar a boca? Santo tempo! Maldito tempo!

Fato é, julgamos o danado do tempo, o tempo inteiro. IMPRESSIONANTE. Como ele passa devagar quando estamos perto de tirar as nossas “tão esperadas” férias. Mas é só chegar o grande dia: “Meu Deus! Como o tempo está passando rápido!” “Mal colocamos nossos pés aqui e já estamos voltando!”, “Parece que chegamos ontem” (…). Quando se dá conta, estava em um mochilão de 40 dias… Ora! Tem gente que se conhece e decide se casar nesse tempo!

Tem ainda, aquele corriqueiro: “Chega o natal, mas não chega a hora de ir pra casa!”. Vê uma árvore de Natal reluzente no shopping no mês de outubro e com espanto: “Já chegou o natal?”.

O famoso “gostaria que o dia tivesse 72 horas para fazer tudo que tenho pra fazer hoje”. Começa a contar um caso: “outro dia…”, quando vai realizar esse dia foi há quatro anos.

Fazemos do sagrado tempo o que queremos. Abusamos da sua boa vontade. Queremos mais. Sempre mais. Queremos menos. Suplicamos por pular etapas, situações que não estamos a fim de viver, de passar. Pedimos um minuto a mais. Um dia a mais. Um mês a mais. Um ano a mais.

TEMPO! Pare! Congele para que possa viver isso pra sempre! (imagina que chato viver uma situação pra sempre…).

É a semana que passa devagar. O final de semana que passa rápido demais.

Outro dia me peguei reclamando da demora da cafeteira em começar e expulsar o cafezinho matinal. Em outra oportunidade, lá estava eu, quase beijando a cafeteira por ser a melhor cafeteira do mundo e proporcionar um café tão gostoso e quentinho em tão pouco tempo! (não importa a quantidade, o tempo sempre foi e sempre será o mesmo).

Semana passada no trânsito de volta pra casa, acho que envelheci uns 12 anos parada com meu carro no mesmo lugar, e, quando olhei no relógio, haviam passados uns “justos” 5 minutos. Na outra, achei uma nova playlist no spotfy, vim fazendo aquele karaokê do trabalho até em casa, e, quando vi, havia levado mais de 2 horas no meu trajeto. Cheguei feliz, sem sede, sem fome e meio roca.

A verdade é essa! Exaltamos o tempo. Culpamos o tempo conforme nossa conveniência, necessidade e prazer… Queremos resultados rápidos, otimistas. Queremos logo a cura de um coração partido. A chegada do novo amor. Do sucesso profissional. Do sucesso da dieta. A dieta que começa depois do natal e te deixa dois quilos mais magra para o ano novo… Como não? Por que não?

A aceitação e amadurecimento com o nosso calendário e nosso relógio é algo encrostado no nosso padrão de evolução, algo construído e constantemente aprimorado. Nosso ego ainda funciona como cronometro. Nossos defeitos “pifam” nossos ponteiros. Nossa chatura quebra qualquer vidro de relógio de parede. Aqueles bons e velhos relógios que te surpreendem dando aquela badalada das seis da manha, pra lembrar que a vida existe, e que você tem que se por de pé, para fazer e acontecer.

A impressão que tenho é cada pessoa tem uma quantidade de horas no dia, meses por ano, anos nos ciclos. Um dia desses conheci uma pessoa que me contou tantos feitos, trabalhos, cursos, e, invés de 85, ele tinha apenas 28 anos. Em contrapartida, sempre tem aqueles que se “tocam” que são seres humanos e resolvem se movimentar aos 40. Alguém certo? Alguém errado?

O que dizer sobre o tempo e a forma como as coisas acontecem pro outro se você não é o outro? Não pensa como ele, não quer as mesmas coisas que ele, não fez as mesmas coisas que ele, não busca as mesmas coisas que ele. Nosso tempo não é medido pelo tempo concedido a ninguém. Sim. Pode ser que isto nos tire um pouco a direção, nos deixe mais perdido. Mas é exatamente isso que nos apresenta caminhos, oportunidades, necessidades, possibilidades.

Tento a cada dia, respeitar o Sr. Tempo um pouco mais. Claro que de vez em sempre tenho vontade de lhe dar uns puxões de orelha, e, depois, volto a lhe amar eternamente. Quer dizer, eternamente não. Ele não me concedeu isso. Ele nos ensina, cura, impulsiona, acalma. Entender que cada um tem seu relógio. O meu faz TIC, o seu faz TAC.

Fernanda Petri

Relogio