Geração Pugliesi

por Aline Resende

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Essa coisa de “geração” é algo curioso. E bem interessante. Acho que sou da geração y. Não sei o porquê da letra Y, se alguém puder me informar, ficarei grata, mas o fato é que também estou vivendo na geração Pugliesi. Explico.

Na época dos nossos pais, não existia essa onda fitness que tomou conta da nossa geração. Não existia isso de coaching, treino, dieta sem glúten e lactose e todo esse “whey lifestyle”. Bom, também não existiam as redes sociais que são responsáveis por virilizar toda essa onda.

Nossos pais, com seus vinte e poucos anos (ou tantos, como meu caso) eram esbeltos. Não eram como muitos jovens de hoje com toda essa cultura de culto aos músculos, barriga cortada e etc. Porém eram magros. E acho que isso se deve ao fato de que eles não tinham muitas facilidades que nós temos hoje. Minha mãe com minha idade, já era casada e tinha uma casa para cuidar. Trabalhava o dia todo, pegava ônibus, limpava a casa, cozinhava e ainda jogava peteca aos finais de semana. Não era nada comum frequentar restaurantes todos os finais de semana como a gente faz hoje.

Eu, com meus 27 anos, ainda estou solteira, moro com minha mãe e temos uma funcionária que ajuda na limpeza da casa. O que resta para mim? Eu trabalho, faço corrida diariamente, leio bastante e saio muito com minhas amigas. E o programa mais comum é sair para comer. Restaurantes, cafeterias, temakerias… é ali que a gente senta, papeia e come, claro. Todo pessoal da minha idade tem exatamente o mesmo hábito, a programação mais comum do final de semana é sair para comer. Os casais de namorados então, quase sempre escolhem esse programa. E com isso, acreditem, a gente petisca e come mais que nossos pais na nossa idade. Que, em quase todos os casos, já estavam casados, cuidando de casa, e tendo filhos.  Soma-se a isso, o fato de que ficamos bem mais tempo sentados na frente do computador, mexendo no celular ou vendo seriados no netflix. Portanto, thank god, existe toda essa onda fitness acontecendo. Do contrário, provavelmente todos nós estaríamos obesos e com exames alarmantes de colesterol. É claro que não podemos generalizar, as pessoas são diferentes e possuem hábitos diferentes. Eu falo da maioria, de uma tendência que é real entre nós jovens de hoje – ainda morarmos na casa dos nossos pais, frequentarmos restaurantes nos finais de semana e estarmos constantemente sentados conectados a um smartphone.

Do ponto de vista da saúde, é muito bom estarmos preocupados com o corpo, frequentando academias, grupos de crossfit e lojas de produtos naturais e orgânicos. Como eu já disse, as coisas acontecem mais tarde para gente. Estamos nos casando mais tarde, tendo filhos mais tarde, e precisamos viver por mais tempo também. E o cuidado com a saúde faz toda diferença nesse cálculo.

Eu mesma, me sinto muito bem por estar fazendo corrida, cuidando da minha alimentação e saúde. Porém, como tudo que é exagerado me incomoda (meus leitores sabem disso, falo incansavelmente que tudo na vida tem que ter equilíbrio) o exagero da onda fitness me incomoda também. É importante demais estarmos bem e nos sentirmos bem com nosso corpo. Isso deve ser o que nos leva a praticar exercícios e comer corretamente. Por outro lado, eu torço muito o nariz para a tal da obsessão com o percentual de gordura ideal do corpo, a quantidade de massa magra, os procedimentos estéticos exagerados e outras coisas do gênero.

Na minha opinião, não tem segredo – o ideal é estar bem de saúde, feliz com seu corpo, comer coisas saudáveis, mas se permitir ter o prazer de comer aquilo que você gosta também. Descobrir alguma atividade física prazerosa é a melhor opção para manter um ritmo saudável sem tantas neuras com números, percentuais e balanças. Vamos ser felizes e saudáveis, né pessoal? Com equilíbrio. : )

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Fotos: Reprodução